Palestra 3
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Nome da Comunicação: "TRABALHANDO COM SOLUÇAÕ DE PROBLEMAS NA
                                                                     EDUCAÇÃO INFANTIL"

Horário:
14h00


Nome da Capacitadora:
     Profa. Esp. Ana Cristina Barbieri Bertaiolli Zocca
     Prefeitura Municipal de Americana

Resumo:

     As experiências vividas pelas crianças diariamente fazem com que elas desenvolvam a capacidade de lidar com vários tipos de situações, desenvolvendo assim sua inteligência prática, a qual busca e seleciona informações, escolhe qual a melhor solução para determinada situação, desenvolvendo desde cedo a capacidade para solucionar problemas. Essas capacidades podem ser potencializadas pela escola, através de um trabalho reflexivo, contribuindo para o desenvolvimento de suas potencialidades.

     Quando o professor conhece seus alunos, suas histórias de vida e suas vivências cultural e social, pode fazer disso mais um elemento que contribua para essa aprendizagem.

     Há muito se tem percebido que a mera reprodução de tarefas matemáticas nada tem contribuído para a aprendizagem e o desenvolvimento das crianças. Muito pelo contrário, pois a cada dia as crianças estão mais desestimuladas, desinteressadas, nutrindo pela matemática verdadeira ojeriza, principalmente as crianças do ensino fundamental e médio. Podemos constatar isso através da fuga de vários adultos que fazem a escolha no vestibular fugindo da matemática.

     A matemática é uma ciência que não tem nada de mecânica, pois lida com problemas do cotidiano das pessoas desde os tempos mais remotos da antigüidade, sempre na busca de melhores soluções e cada vez mais criativa. Ela não pode ser desvinculada da vida, sendo reprodutiva, desprovida de significados e de relações do homem com seu mundo, e nem desvinculada das demais disciplinas.

     Existem inúmeros materiais pedagógicos e metodologias capazes de fazer com que a aula de matemática seja um processo contínuo de construção e de descobertas de novos conceitos. Materiais manipuláveis, interessantes e do cotidiano também levam o indivíduo a fazer relações, inferências, transformando o conhecimento já trazido anteriormente, transpondo os saberes escolares para a vida e vice-versa. Eis sua grande finalidade, se complementa, se enriquecem, capacitando o indivíduo para a vida.

     Aos professores cabe cada vez mais a busca pela aprendizagem efetiva de seus alunos, procurando proporcionar experiências ricas e desafiadoras, grandes momentos de construção de saberes, utilizando os conhecimentos prévios de seus alunos e as experiências do cotidiano, momentos propícios para o saber matemático e a solução de problemas.

     O papel do aluno no processo é ser sujeito ativo de seu conhecimento e de sua aprendizagem, e o papel do professor é ser mediador, aquele que interage, que propõe desafios, que questiona as ações, que fornece as informações necessárias para que os alunos procurem e busquem novas informações.

     A resolução de problemas parece ter sido até agora tratada como um conteúdo que enfatiza somente cálculos, contas, números, aplicação do conteúdo, e não um meio, uma possibilidade de se chegar a um resultado positivo no processo de ensino-aprendizagem.

     Na educação infantil, o trabalho com a matemática tem sido caracterizado pelo aspecto lúdico. É brincando, interagindo com o outro que a criança se insere e interage com conceitos matemáticos que darão base para a formação abstrata dos conceitos matemáticos exigidos posteriormente.

     O desenho é uma forma criativa das crianças pequenas registrarem suas idéias, em um primeiro momento em que ainda não sabem ler e escrever, portanto estarão solucionando problemas.

     Quando as crianças participam de atividades matemáticas, é possível perceber o grande interesse e entusiasmo delas, pois é uma atividade desafiadora e prazerosa para elas. Partindo dos seus interesses e de suas experiências, a criança tem maior interesse em realizar as atividades, pois são utilizadas situações significativas para elas.

     O professor pode e deve aproveitar seus saberes prévios, assim como seus interesses, de maneira a planejar seu trabalho criteriosamente, possibilitando o acesso da criança ao desenvolvimento de várias capacidades cognitivas, contribuindo para sua interação no mundo em que vive, mas não se esquecendo de ampliar os horizontes e proporcionar saltos no seu desenvolvimento.

     O trabalho com a solução de problemas precisa ser cuidadoso. Deve-se pensar no enunciado do problema, que seja claro e direto para que a criança entenda o que está sendo pedido. Não deve ter muitas questões dentro do mesmo problema, pois nessa faixa etária, uma das características das crianças é perceber um aspecto de cada vez. Deve-se partir das vivências das crianças; elas devem conhecer o que se está falando para que não percam o interesse. O estímulo de vários resultados, várias possibilidades de solução, favorece a construção criativa de novas hipóteses, a possibilidade de ver vários resultados. É muito interessante que a criança entenda que um problema possa ter várias soluções.

     A solução de problemas deve ser realizada constantemente com as crianças. Ela é uma ferramenta para que elas participem efetivamente do mundo em que vivem, tornando-se aptas para atuar na sociedade que exige cada vez mais sujeitos ativos, criativos, capazes de solucionar problemas.

A RESOLUÇÃO DE PROBLEMAS MATEMÁTICOS NA EDUCAÇÃO INFANTIL

     A resolução de problemas na educação infantil segue caminhos diferentes daqueles formais na abordagem tradicional da matemática nas séries mais avançadas. É necessário elaborar um ou vários processos de resolução, realizando, por exemplo, simulações, fazendo tentativas, formulando hipóteses, procurando resolver problemas mais simples para depois comparar os resultados com o objetivo de alcançar e controlar, desse modo, a evolução de seus processos de aprender.

     Para desenvolver as habilidades em resolução de problemas, é necessário que desde o início da escolaridade as crianças sejam desafiadas a buscar respostas para situações especialmente planejadas para isso. São as idéias matemáticas que as crianças desenvolvem na infância que formam as bases para toda a matemática que estudarão mais tarde, desenvolvendo assim atitudes que serão capazes de aprender matemática . O sucesso da resolução de problemas depende das suas experiências iniciais.

     Normalmente a resolução de problemas não é abordada de maneira sistemática, somente a partir da 2 a . e 3 a . séries iniciais do ensino fundamental, constituindo por parte dos professores uma tarefa difícil e mal compreendida pelos alunos.

     Algumas crenças podem ser vistas com o trabalho da resolução de problemas na educação infantil por parte dos professores. Por exemplo, eles acreditam que para resolver problemas adequadamente a criança precisa ter conceitos numéricos, podendo ser refutado através da idéia que resolvemos vários problemas do cotidiano sem que apresentem necessariamente números.

     Outra crença é que para resolver problemas é necessário que as crianças sejam leitoras. Podemos afirmar que saber ler não é sinônimo de incapacidade de ouvir, falar, compreender e pensar, pois as crianças resolvem várias situações no cotidiano com tranqüilidade.

     O professor pode ser o leitor para seu aluno, e também o desencadeador para a aquisição da leitura e escrita nos alunos em fase de letramento.

     Muitos professores acreditam que, para resolver problemas, as crianças precisam ter antes conhecimento sobre operações e sinais matemáticos.

     Para Kamii, a aritmética não nasce da técnica e sim da capacidade de pensar logicamente.

     Deveríamos considerar que os problemas são perguntas que as crianças tentam responder pensando por si mesmas, não exigindo nada além da capacidade natural que as crianças têm de se encantar por desafios.

     Não se trata de considerar a resolução de problemas um conteúdo isolado dentro do currículo. O trabalho com resolução de problemas é uma maneira pela qual os alunos são envolvidos a fazer matemática.

     Sob esse enfoque, a resolução de problemas na educação infantil é um espaço para comunicar idéias, fazer colocações, investigar relações, adquirir confiança em suas capacidades de aprendizagem. É um momento para desenvolver noções, procedimentos e atitudes em relação ao conhecimento matemático, auxiliando os alunos a dar sentido aos conceitos, habilidades e relações que são essenciais no currículo de matemática para crianças na educação infantil.

     Essa mudança de postura exige que tenhamos um trabalho planejado, constante, e que utilizemos muitas e variadas fontes de problematização, desde as que surgem do cotidiano até as elaboradas e propostas pelo professor. Podem ocorrer oralmente, por escrito, podendo utilizar dramatizações,jogos, materiais diversos, literatura infantil, desenhos, escrita ou linguagem matemática para resolvê-los.

     O desenho é um importante recurso que as crianças não leitoras utilizam para expressar a solução por elas encontradas, como também é um meio para que elas reconheçam e interpretem os dados do texto. Neste sentido, o desenho representaria tanto o processo de resolução de problemas quanto à reescrita das condições propostas.

     É forte a crença de que antes de ingressar na escola a criança não desenvolveu nenhuma forma de raciocínio matemático, sendo poucas e ineficientes as habilidades que possui para resolver problemas. Sendo assim, a escola é o lugar onde se desenvolve o raciocínio matemático da criança pela primeira vez.

     Excluir a resolução de problemas na educação infantil é comprometer o desenvolvimento das noções e idéias matemáticas. De acordo com Ponte (1987), uma das forças vitais para fazer a matemática avançar é a formulação e a resolução de problemas, e todos os processos essenciais da matemática, como descoberta de regularidades, formulação de conjecturas, refinamento de idéias e procedimentos, são atravessados por essa atividade de resolução de problemas.

     O equívoco é considerarmos como problemas apenas aqueles apresentados nos livros didáticos, que envolvem operações aritméticas, pois as crianças resolvem muitos problemas fora da escola, adotam certos procedimentos orais para a resolução de problemas matemáticos.

     Não saber ler ou escrever não é sinônimo de incapacidade de ouvir e pensar, e há outros recursos, como o desenho e a expressão pictórica, que podem ser utilizados na busca pela solução de um problema. O desenho é por si considerado como a solução para um problema, por ser um processo de comparação, tentativa e erro, investigação e pesquisa, como projeto inicial. Muitas operações mentais envolvidas no ato de desenhar são centrais também no processo de solução de problemas.( Edwards, 1994).

     Um dos principais motivos para se estudar matemática na escola é desenvolver a habilidade de resolver problemas, importante para a aprendizagem matemática e para o desenvolvimento das potencialidades de inteligência e cognição.

     A resolução de problemas possibilita ao aluno vencer com alegria obstáculos criados por sua própria curiosidade, vivenciando o fazer matemática.

     Problema é toda situação que se enfrenta e não se encontra solução imediata que lhe permita ligar os dados de partida ao objetivo a atingir. A noção de problema comporta a idéia de novidade, de algo ainda não compreendido.

         O confronto entre os resultados produzidos e os objetivos visados pode implicar em ajustamentos, reorientações ou no questionamento da alternativa escolhida e no incentivo a buscar uma nova direção. Esse confronto necessário entre os resultados produzidos pelo aluno e as restrições da situação é um objetivo de aprendizagem na educação infantil: a criança deve ser capaz de avaliar o resultado de sua ação.